se os rios

não pararem de correr

(carlos r. marques)

são do caminho que vai dar à fonte

as lembranças

dos primeiros tempos

·

das caminhadas pelas matas densas

a ouvir correr o rio

·

do ar tão puro ou das flores o cheiro

um aroma tal

ainda hoje o sinto

·

vou-te levar a esse lugar

quando chegar a primavera

·

se o ar ainda for puro

e as flores por lá estiverem

·

quero que sintas esse tal aroma

a ouvir correr o rio

·

anos passaram e as mudanças reais

outras virão e outras mais e mais

·

o teu brincar é o teu touch a tua pose

a enviar para alguêm que está longe

o meu brincar era nesse lugar tão natural

e é lá que te quero levar e mergulhar

se os rios não pararem de correr

·

(Carlos/Voz/Baixo, Louie/Bateria, Luís/Teclado, Samuel/Guitarra)

batem os sinos

(carlos r. marques)

batem os sinos na capela

em toda a aldeia se ouvem bem

saio à rua atrás dela

para ver como hoje vem

·

batem os sinos na capela

saio pra ver o andar gingão

para ouvir o bater dela

o bater do seu tacão

·

firme como aço calca bem o chão

aquele pedaço parte o coração

o quanto me desfaço em vão

·

vem o dia da festa e quero

que me conceda dança e espero

bater meu pé com seu tacão

·

(Carlos/Voz/Baixo, Louie/Bateria, Luís/Teclado, Samuel/Guitarra)

quarto andar

(carlos r. marques)

à frente do momento

olho aberto e atento

o andar virado ao futuro

o visar certeiro

alcançou primeiro

caminho que deu certo e foi seguro

vistas desse quarto andar

·

de janela aberta

fica descoberta

a nuvem negra que vai a passar

a ordem é metida

pela arma desconhecida

não se cansa de lhes apontar

com vontade de bater

no abuso do poder

·

janela que se abriu

magia que saiu

tudo deu para mostrar

alcance só possível

a quem toca o inatíngivel

e enriquece sempre a dar

vistas desse quarto andar

·

ideias avançadas

munições que foram dadas

a quem hoje se dispöe a agradecer

nuvem afastada

mas não extreminada

volta a arma a apontar e a bater

no abuso do poder

·

(Carlos/Voz/Baixo, Louie/Bateria, Luís/Teclados, Samuel/Guitarra, João/Hammond)

preciso praticar

(carlos r. marques)

fui contigo ao baile de gala

arrisquei não é a minha praia

com tanta classe na sala

o destaque eras tu

·

um vestido justo a contornar as linhas

um tacão alto a fazer de mim anão

e a habitual beleza do teu rosto

realçado pela pintura

·

mas meu espanto e apatia

chocam com teu rigor

e a dança sai tremida

·

reclamo mais liberdade

quero ficar à vontade

dar largas à imaginação

·

queres que mexa a cintura

mas sem perder a postura

deixa-me usar também a mão

·

o decote a atrapalhar o passo

o cuidado em não deixar cair o braço

tudo isto dificulta e complica

a acção de um novato

·

vi-te aflita incomodada com os olhares

provocados pelo meu desacerto

vou treinar afincadamente

tenho o decote na mente

·

quero voltar a dançar

numa nova oportunidade

não te posso defraudar

·

convida-me a tua casa

ou ao quarto de um hotel

exercita-me até esgotar

·

não é uma proposta indecente

apenas estou ciente

de que preciso praticar

·

(Carlos/Voz, Luís/Piano)

dedos

(carlos r. marques)

cinco dedos numa mão

todos eles diferentes

delicados ou grosseiros

são bons companheiros

·

cinco unhas afiadas

executam as tarefas

coabitam entre elas

sem grandes arranhadelas

·

ferramenta eficaz

no trabalho artesão

com processos naturais

sem pressões industriais

·

ao serviço do requinte

do bom gosto e do rigor

por toda a parte espalhadas

peças de arte refinadas

·

numa ponta o viajante

preciosa oposição

especialista em contrapeso

em agarrar a união

·

numa outra o mais franzino

tem acções bem positivas

faz limpeza em certas zonas

coça as partes criativas

·

e no centro imponentes

três enormes exemplares

um aponta direções

outro assinala os pares

·

mesmo ao meio o maior

controla movimentações

tavez por ter esse porte

é ele quem responde às provocações

·

(Carlos/Voz/Baixo, Louie/Bateria, Luís/Farfisa/Voz, Samuel/Guitarra/Voz, João Carlos/Rhodes)

açores

(carlos r. marques)

no azul da imensidão do mar

ali nas águas frias

um parto natural

gerou nove crias

·

o estrondo do troão

a lava pelas águas

o amor pela criação

supera a dor das fráguas

·

cenário gigantesco

avistado de longe

nascidas de fresco

benzidas por um monge

·

dizem que quem por lá passou

viu o fogo no ar

porém quem por lá ficou

a paz a desfrutar

·

nos açores brilha a vida,

brilha o olhar

os açores da beleza

da terra e do mar

nos açores brilha a vida,

o olhar, a terra e o mar

·

maria a primeira

de sol aberto a sul

miguel e a terceira,

branca, flores e azul

·

s. jorge nos assista

nas convulsões do norte

que o corvo nos proteja

e o pico nos dê sorte

·

(Carlos/Voz/Baixo, Louie/Bateria, Luís/Teclados, Samuel/Guitarra/Voz)